Tecnologia, polêmicas e injustiças

Por Junior Lourenço

Estava com meus quinze anos e participava de um campeonato de tênis. Torneio pequeno, mas importantíssimo na minha cabeça. Sacava para fechar o jogo, consegui um ace – muito raro para meu estilo de saque – e quando preparava a comemoração, vi o adversário titubear e dizer: foi fora.

“Como assim, fora?”, pensei enquanto transformava a euforia em desespero.

O professor, que também era o árbitro da competição entre alunos, estava em outra quadra e não viu o ponto. Coube a um amigo do oponente dizer que a bola foi mesmo para fora. Ficou por isso mesmo. Inconformado, eu discutia sobre o ponto e simultaneamente percebia que seria necessário recomeçar um jogo ganho. A partida continuou por alguns outros pontos e perdi. Saí de quadra chorando, em um misto de imaturidade, raiva e sentimento de injustiça. Não era Roland Garros, era um pequeno torneio nas quadras em que eu treinava. Mas era triste demais saber que mesmo com aquela bola boa a vitória escapara.

Respeito as opiniões diversas mas se você já participou de competições, qualquer seja a relevância que você atribua a elas, são grandes as chances de que discorde dos que acham polêmicas e que erros de arbitragem são parte da beleza do esporte. Esporte – para ser mais específico, futebol, tema efervescente nessa e em tantas semanas – tem muitas outras peculiaridades. Por exemplo, a probablidade da equipe ou atleta mais fraco ganhar do mais forte. Acho incrível quando um time reconhece suas limitações e se defende contra um adversário ofensivo, aguenta a pressão e ganha por 1 a 0. Isso não é injusto. Injusto é perder por erros de outrem.

Antes, poucos lances ficavam na memória dos torcedores como “polêmicos”. Mas hoje, com inúmeras câmeras e jogos transmitidos, os erros que provavelmente sempre existiram são expostos com maior frequência. Entre as consequências, estão programas esportivos falando mais de arbitragens do que de gols ou dossiês de quem errou mais para qual equipe. Reconheço a subjetividade, mas pra mim isso não é o mais bonito.

Além disso, a tecnologia já é parte do jogo. Replays multicâmeras, televisões digitais de bolso, comunicação sem fio. Já está tudo lá para quem vê de longe e para quem está in loco. A adaptação dessa tecnologia não resolveria todos os problemas, mas ajudaria a minimizar os erros humanos que acontecem e acontecerão. Quem comanda o futebol pouco se manifesta, como se cedo ou tarde o problema desapareça sozinho. Resta saber quanta poeira aguenta esse tapete. Afinal, as informações chegam ao espetáculo sem que a FIFA as convide.

Há dez anos atrás, naquela quadra de tênis, elas seriam muito benvindas.

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